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O Diabo Veste Prada 2: o Luxo, a Nostalgia e a Crise do Jornalismo.

Após vinte anos, Anne Hathaway e Meryl Streep estão de volta às salas de cinema na continuação de O Diabo Veste Prada. O filme, que estreou no último dia 30 de abril, promete trazer nostalgia e apresentar esses personagens a toda uma nova geração.

Na Historia

Após ser demitida logo depois de receber um prêmio de jornalismo, Andy Sachs retorna à revista Runway, agora na posição de editora de conteúdo. Ela precisa lidar com sua antiga chefe, os problemas de sua nova função, sua vida pessoal e as mudanças na indústria jornalística.

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Um carta ao jornalismo

Com o advento da internet, sobretudo nos últimos vinte anos, o jornalismo como meio de comunicação começou a enfrentar mudanças em seu modo de produção. Se nos anos 1990 as redações ocupavam andares inteiros em prédios comerciais, e os repórteres tinham tempo e recursos para escrever suas matérias, hoje muitos jornalistas precisam enfrentar acúmulo de funções, burnout e lidar com prazos cada vez mais apertados. É nesse contexto que o novo Diabo Veste Prada se desenrola.

O primeiro longa servia para criticar as relações de trabalho e como ambientes tóxicos moldavam aqueles que eram submetidos, este por sua vez é uma crítica aos meios de comunicação e como preferem esconder o bom jornalismo em prol de cliques na internet. Como a busca por agradar investidores que muitas vezes priorizam o lucro a qualquer custo em detrimento da qualidade afetam toda uma equipe de trabalho.

Para compor essa história, o longa dirigido por David Frankel e escrito por Aline Brosh McKenna se baseia na obra A Vingança Veste Prada, livro que continua os eventos do romance que inspirou o filme original. Porém, assumindo ser uma continuação e também uma homenagem aos 20 anos do primeiro, optando assim por seguir a história sem explicar muitos detalhes, fazendo somente referências visuais quando oportunas.

Estilo e Atmosfera

Um dos melhores detalhes deste longa se resume em sua fotografia. Se o filme original era colorido e inspirador, este segundo usa cores mais escuras em suas imagens. Mesmo as mais coloridas e vibrantes passam um ar de melancolia, algo que combina com o momento incerto e os desafios que esses personagens agora enfrentam. Somados às músicas resgatadas do longa original, criam uma imersão em pura nostalgia.

Apesar de pontos positivos gritantes, o longa, diferente do seu original, acaba se perdendo no quesito originalidade. Se o primeiro trouxe charme e inventividade, o segundo fica preso a uma âncora nostálgica que minimiza discussões importantes que aborda. E mesmo essas discussões, por ocuparem demasiado tempo de tela, acabam por criar uma barriga que fãs pouco preparados podem sentir como entediantes no desenrolar da história. Dessa forma, O Diabo Veste Prada 2 apresenta um bom filme para o fim de semana, mas que se torna limitado e dificilmente se tornará um clássico tão marcante quanto seu antecessor.

Hugo Montaldi

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