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Entre o Espetáculo e a Omissão: O Que Esperar do Filme “Michael”

A cinebiografia do Rei do Pop chega aos cinemas pela visão do diretor Antoine Fuqua, prometendo ser uma homenagem aos fãs e ao próprio Michael Jackson.

Anunciado originalmente em 2019, o longa sofreu com alterações e atrasos em sua produção até que conseguiu, de fato, começar suas filmagens em 2023. Desde o anúncio, a obra passou por mudanças de roteiro e modificações em sua narrativa, que incluíram refilmagens e a retirada das acusações de abuso sexual enfrentadas pelo artista. Segundo informações da Variety:

“Michael”, a história da ascensão de Michael Jackson ao estrelato, deveria começar ‘in medias res’ com um dos capítulos mais sombrios da vida do cantor. Em uma cena do roteiro original do filme, o Rei do Pop encara seu reflexo no espelho.

Com as modificações e refilmagens, o longa protagonizado pelo sobrinho de Michael, Jaafar Jackson, apresenta-se como um retrato cinematográfico da trajetória e do legado de um dos artistas mais influentes da história, explorando a vida do cantor desde a revelação de seu talento extraordinário como o jovem líder do Jackson 5 até sua ascensão como um artista visionário.

A transformação de Jaafar Jackson e o espetáculo visual

O designer e crítico de cinema Gustavo Pestana, do site Lobisomem Zumbi, que assistiu ao filme a convite do site Hugomontaldi.com.br, relata que o longa segue uma estrutura parecida com a de Bohemian Rhapsody (2018). Tal semelhança é compreensível, visto que o produtor Graham King (e a equipe técnica envolvida) segue uma fórmula de sucesso já testada. Diferente da cinebiografia do Queen, “Michael” não conta toda a história, sugerindo que novas produções futuras podem explorar mais aspectos da vida do cantor.

Quanto à atuação, Pestana destaca:

“Apesar de a atuação de Colman Domingo dar raiva pelas coisas que ele faz como pai de Michael, o grande destaque está em Jaafar. É assustador; ao ponto de que, se eu não soubesse que o filme foi totalmente gravado agora, acharia que estavam utilizando imagens de arquivo do próprio Michael.”

Entre os problemas, destacam-se o excesso de passagens temporais e a falta de foco em personagens secundários importantes, que acabam sendo negligenciados na narrativa

Talvez este filme seja divisivo entre os fãs, principalmente pelo recorte proposto. Quem espera uma biografia completa do Rei do Pop pode se decepcionar pela ausência de informações relevantes e pela omissão de assuntos importantes na narrativa. Todavia, o filme ainda consegue realizar algo difícil no cinema: apresentar cenas de shows imersivas que complementam a experiência cinematográfica.

Michael estreou no Brasil no último dia 21 de abril e já está em exibição em todo o circuito nacional, com distribuição da Universal Pictures.

Hugo Montaldi

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