“O cinema brasileiro não vive, mas sim, resiste.” Esta é uma das frases mais associadas à nossa produção nacional, frequentemente acompanhada pelo estigma de que “o Brasil não sabe fazer cinema”. A verdade é que, enquanto Hollywood se aperfeiçoou em criar espetáculos visuais, o Brasil apostou em projetos íntimos e pessoais que, com o tempo, tornaram-se pequenos espetáculos.
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O Triunfo Internacional: Wagner Moura e a Língua Portuguesa
É inegável que o cinema brasileiro possui qualidades únicas e reflexões que só seriam possíveis em solo brasileiro. O desafio sempre foi convencer o mundo — e a nós mesmos — disso. Felizmente, vivemos um momento histórico: por dois anos consecutivos, o Brasil foi protagonista no Globo de Ouro e pela segunda vez, conquistamos duas estatuetas fundamentais:
Melhor Filme de Língua Não Inglesa: Um prêmio valorizado, embora ainda carregue o estigma de ser “o melhor entre os não americanos”. E Melhor Ator de Drama: Com a vitória de Wagner Moura por sua atuação em O Agente Secreto. Vencer esta categoria falando português, em uma premiação que historicamente negligencia qualquer idioma que não seja o inglês, é um marco que continua a trajetória de Fernanda Torres, que venceu no último ano como melhor atriz dramática.
A Nova Fase da Resistência
Esta sequência de vitórias, impulsionada também pelo aclamado Ainda Estou Aqui, demonstra que o cinema nacional desperta o interesse estrangeiro. Porém, a luta não está ganha; ela apenas entrou em uma fase mais difícil e perigosa.
Agora que convencemos o mundo, precisamos convencer a própria população brasileira de que vale a pena ir ao cinema. É preciso quebrar o preconceito de que nossa produção se resume a “favela, sexo e violência”. O cinema brasileiro é feito de boas histórias, profissionais brilhantes e experiências profundas.
Vencer em Casa para Prosperar
Convencer o público interno não deveria ser difícil, já que o brasileiro consome com maestria a música e a produçao televisiva nacional, como as telenovelas. O que falta então? Transformar cada grande obra em uma excelente experiência. O cinema precisa entender o que o público quer assistir e, a partir daí, entregar narrativas de qualidade.
Já vencemos nos EUA, na França e na Itália. Agora vem a parte decisiva: precisamos vencer em casa. Somente assim o cinema brasileiro vai parar de resistir e começará a prosperar. Nomes como Wagner Moura, Fernanda Torres, Kleber Mendonça Filho e Walter Salles já mostraram o caminho. Agora, cabe a nós, como público, admiradores e Cineastas, valorizarmos o que é nosso.
Viva o cinema brasileiro!
