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Se Meu Apartamento Falasse, o Filme que Expôs a “Puxação de Saco” em Hollywood

“Cale a boca e dê as cartas.” Com essa frase, o aclamado longa de 1960, “Se Meu Apartamento Falasse” (The Apartment), chega à sua conclusão. É uma frase simples, mas marcante, não apenas pela forma como é dita ou por quem a diz, mas porque sintetiza com exatidão toda a jornada do filme.

Escrito e dirigido pelo mestre Billy Wilder, o longa foi o grande vencedor do Oscar de 1961, levando cinco estatuetas, incluindo a de Melhor Filme. A trama gira em torno de um funcionário solteiro que, para subir na hierarquia de uma grande empresa de seguros, começa a emprestar a chave de seu apartamento para que seus chefes possam viver casos extraconjugais longe de suas esposas. No entanto, sua vida pessoal vira um caos quando ele se apaixona pela ascensorista da empresa, que também frequenta seu apartamento sob circunstâncias complicadas.

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Uma Sátira Ácida ao Corporativismo

Apesar de ser rotulada como uma comédia dramática, a obra se tornou atemporal por suas críticas mordazes ao mundo corporativo. O protagonista busca constantemente forma de se livrar dos problemas que seus chefes lhe arranjam, mas, quando as promoções começam a surgir justamente por causa dessa “moeda de troca”, o conflito entre o certo e o errado se mistura. Aos poucos, a comédia dá lugar a um drama profundo, não só do protagonista, mas também dos personagens secundários que orbitam aquela solidão urbana.

A grande sátira da história reside em como o favoritismo e a famosa “puxação de saco” são vistos não apenas como ferramentas de sobrevivência, mas como a única via de ascensão social. Enquanto os vizinhos o veem como um “cafajeste” (devido à movimentação no apartamento), no trabalho ele é o “funcionário exemplar” — um contraste irônico sobre as aparências.

O “Problema” da Velha Hollywood

Apesar de todos os méritos, o longa carrega uma característica de sua época: a necessidade de um final positivo e esperançoso. Como era comum na Hollywood clássica, o desfecho otimista era quase uma exigência.

Em minha visão, o filme se arrasta um pouco mais do que o necessário para alcançar esse encerramento magistral. Ele constrói uma crítica satírica tão forte sobre uma realidade que muitos preferem ignorar, apenas para, no último momento, permitir que a esperança reine antes que as luzes da sala de cinema se acendam.

No momento em que escrevo este texto, o filme está disponível em uma belíssima versão restaurada em 4K no Prime Video. Se você nunca assistiu a esse clássico, vale a pena conferir. É uma história de 1960 que, tragicamente, poderia ser ambientada atualmente sem mudar quase nada.

Hugo Montaldi

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