One-Punch Man é um dos títulos mais reconhecíveis entre os fãs de animações japonesas. Desde seu surgimento em meados de 2009 como uma webcomic, as aventuras do herói que luta por diversão tornaram-se rapidamente um fenômeno viral. Ao ser adaptado para um mangá oficial, a obra conseguiu a façanha de ultrapassar a marca de 30 milhões de cópias em circulação.
No Brasil, o mangá é publicado pela editora Panini e possui uma legião de fãs apaixonada pela franquia do “herói careca”. Assim como o público japonês, os brasileiros também criticaram a animação da terceira temporada, vista por muitos como preguiçosa e de baixo orçamento — mesmo que, tecnicamente, esse não seja o caso.
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A Era de Ouro com a Madhouse
Em 2015, o público pôde acompanhar a adaptação do mangá para a TV em uma animação feita pelo renomado estúdio Madhouse, responsável por obras como Beyblade e Death Note. A produção contou com cenas empolgantes e garantiu que as músicas e os efeitos sonoros estivessem em perfeita sincronia, cativando os espectadores.
No Brasil, o trabalho de dublagem também colaborou para que a obra encantasse ainda mais o público. A primeira temporada custou aproximadamente dois milhões de dólares — um valor considerado alto para a época. Isso contrasta drasticamente com a terceira temporada, que custou praticamente o mesmo valor quase dez anos depois, em um cenário onde esse orçamento se tornou a regra (e não a exceção) da indústria.
Mudança de Estúdio e Crise na Produção
Durante o processo, divergências criativas fizeram a Madhouse encerrar sua participação após a primeira temporada, permitindo que o estúdio J.C. Staff assumisse a produção. Isso mudou completamente a logística e a qualidade visual da obra.
A Madhouse é um estúdio com mais de 50 anos de existência e propriedade da NTV (conglomerado de televisão japonês) em parceria com a Sony Japan. Já a J.C. Staff é um estúdio majoritariamente independente que, embora entregue bons resultados em certas produções, dificilmente consegue competir em pé de igualdade com um gigante como seu antecessor.
Soma-se a isso os alertas de especialistas da indústria, que relatam um cenário preocupante: animadores ganhando cada vez menos e trabalhando exaustivamente para cumprir prazos apertados. O resultado é uma terceira temporada que parece um reflexo desse sistema: uma produção cansada, feita por pessoas exaustas, onde truques para economizar tempo são mais evidentes do que a própria fluidez da animação.
O Sentimento dos Fãs e o Futuro da Franquia
Se do lado do estúdio existe um cansaço visível, do lado dos fãs existe uma decepção latente. Ao fazerem maratonas para relembrar os episódios anteriores, a queda de qualidade torna-se gritante, e a frustração acaba transbordando nas redes sociais. Embora a animação não esteja “ruim”, ela adotou um estilo diferente, assemelhando-se a Gokushufudou: Tatsu Imortal — uma obra que valoriza a arte estática. Porém, o público não leva em conta mudanças técnicas, mas sim o produto final.
Caso a J.C. Staff decida continuar com o anime, terá um trabalho árduo para convencer os fãs de que consegue se igualar ao seu antecessor. Uma solução talvez viável seria realizar um reboot da franquia: recontar os eventos da primeira temporada e reiniciar a série em uma produção cujo orçamento e cronograma não sobrecarreguem a equipe. Algo similar ao que ocorreu nos anos 1990 com Yu-Gi-Oh!.
One-Punch Man continua tendo fãs apaixonados, e é inegável que esta fase deve acender um alerta na indústria. Caso contrário, este pode ser o início de uma derrocada de produções vistas como medíocres, mesmo que, no fundo, não o sejam.
