Premiado filme argentino A Mensageira chega ao Brasil pela Filmes do Estação e promete uma história sensível com críticas ao mundo contemporâneo.
Na história:
Durante uma crise econômica, uma jovem viaja com tutores e usa seu dom de falar com animais vivos e mortos para garantir sustento e sobrevivência.
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A Narrativa da Moralidade
Uma das maiores belezas do filme se encontra na forma como a história é contada: uma suposta família viajando em uma [van] pelas belas paisagens argentinas, enquanto dilemas sobre a moralidade de utilizar uma criança para ganhar dinheiro (mesmo que por sobrevivência) são escondidos em segundo plano. Desta forma, o filme convida o espectador a refletir sobre as questões apresentadas e encontrar suas próprias conclusões.
O Dilema do Preto e Branco
Se o roteiro é pensado com maestria, a fotografia e a decisão artística de contar a história em preto e branco podem ser discutidas, uma vez que o aspecto da viagem e dos cenários, que seriam tão importantes para exemplificar as emoções e, principalmente, referenciar de forma visual a moralidade dos personagens, tronam-se simplórios num literal “preto no branco”.
O filme combina repetição de músicas e silêncios que provocam desconforto e alegria, consolidando-se como obra artística relevante ao abordar temas com intensidade única. Infelizmente, para o grande público que busca uma diversão na sala de cinema, certamente este não será o filme ideal.
Arte para Festivais
A Mensageira é um filme que usa a arte e a história para criticar a economia e tecer reflexões pertinentes, porém que não atinge o patamar máximo que ele poderia alcançar com a história e os personagens que a obra possui. Um filme de festival que certamente irá encantar seu público, mesmo que este público seja limitado.
