Baseado em uma história real, Caso 137 chega ao Brasil mostrando a vida daqueles que investigam a própria polícia.
Na história:
Uma investigadora de assuntos internos da polícia francesa se depara com o caso de um jovem atingido por uma bala de borracha disparada por um policial em meio a um protesto. Porém, o que seria uma simples investigação de rotina se torna rapidamente um confronto moral sobre os dilemas da força e da brutalidade policial.
Burocracia como Linguagem de Realidade
Quando filmes policiais abordam o tema da corrupção ou mesmo da violência cometida pelas forças da lei, rapidamente acabam caindo no clichê de utilizar o excesso de violência como forma de ilustrar as chamadas “maçãs podres” da corporação. Porém, o filme de Dominik Moll destoa desse paradigma ao substituir a violência pela burocracia e misturá-la com imagens de arquivo, câmeras de segurança e filmagens amadoras, a fim de transmitir uma ideia de realidade em um longa que, mesmo sendo uma obra de ficção, se apropria de uma linguagem documental para impactar o espectador.
Outro ponto de destaque encontra-se no texto, sobretudo em momentos em que policiais precisam se defender ou mesmo confrontar suas acusações. Esses momentos, quando somados à fotografia que abusa de imagens puxadas para o cinza, acabam por guiar o espectador à ideia central da trama: a de que nem todo o melhor esforço é suficiente.
Dilemas Morais e Ritmo Narrativo
Apesar de incontáveis pontos positivos, principalmente na parte moral que a história se propõe, o excesso de tempo e pausas na narrativa para explicar quem é essa personagem que está conduzindo a investigação acaba por diminuir o peso que a história tanto tenta transmitir. As cenas, por mais importantes que sejam, acabam por tornar, em momentos, a narrativa maçante e cansativa.
Caso 137 é um filme que convence o espectador a refletir sobre o papel das forças policiais e os limites do Estado, ao mesmo tempo que cria uma história parcial e convidativa para os fãs do gênero policial apreciarem uma boa investigação. Uma história competente que demonstra seu melhor, mesmo quando ele não é suficiente.
