A Vida Secreta dos Meus Três Homens, novo filme nacional que mistura realidade e ficção em uma experiência diferente do que estamos acostumados a ver no cinema, mas será que é bom?
Na história
Fantasmas do passado visitam uma jovem, que discute as consequências de seus atos e as mudanças na vida e no Brasil.
Cara de um, focinho de outro: Avatar com Castores é o futuro da Pixar?
A Linha Tênue entre Arte e Cinema Comercial
No cinema, franquias comerciais repetitivas atraem multidões, enquanto filmes de arte inovadores permanecem restritos a festivais e circuitos pequenos, revelando contraste entre popularidade e inovação. A Vida Secreta de Meus Três Homens consegue usar uma ideia comercial de uma jovem conversando com fantasmas para subvertê-la com uma estética documental, onde a própria diretora aparece em cena para contar partes da história livremente inspirada em sua vida.
O Espectador como Elo Narrativo
Ao longo do filme, questionamos o que é realidade e ficção, da mesma forma que questionamos o que de fato é escrito e o que é improvisado pelos atores, principalmente quando a quarta parede é quebrada de forma sutil, permitindo que o espectador não se sinta somente um ouvinte, mas também um importante elo entre os personagens e a mensagem que o filme quer contar.
O filme aborda três histórias principais: a do avô da protagonista e como um ciclo de violência o levou a trabalhar com Lampião; a do pai da protagonista, um homem decidido a mudar de vida após a morte da mãe e que se torna um colaborador da Ditadura; e seu tio, um fotógrafo negro e gay que, na busca do amor, acaba por encontrar a violência.
Ciclos de Violência e Resistência
Três histórias profundas que têm a violência como um ponto em comum e que ajudam a refletir em que mundo esta personagem vive e como ela se tornou quem é. Porém, por mais impactantes que sejam os relatos dos atores, a terceira história acaba por parecer ficar desconexa — não por ser ruim, mas por ser uma história rica o suficiente que mereceria um filme independente.
A Vida Secreta de Meus Três Homens é um filme simples que cumpre o que promete: uma boa reflexão e uma boa narrativa, feita com impacto e carinho. É certamente mais um bom exemplo de que o cinema brasileiro não somente vive, como ainda resiste.
